DIRECT REVIEW

Mega Man 11LANÇAMENTO: 13.10.2018
9.5

NOTA GERAL

GRÁFICOS

JOGABILIDADE

DIVERSÃO

SOM

TOP GAMES

9.9
6.7
8.1
5.6


Direct News | Sega Saturn – Genial e ao mesmo tempo indomável

20.02.2016 11:39:39 - Publicado por Michel Faria

Sega-Saturn-img.2

Ele tinha tudo para ser um produto arrasa-quarteirão da SEGA, a empresa vivia um momento mágico no inicio da década de 90, o Mega Drive tornouse-se uma das principais forças do mercado. Era hora de entregar esse legado a um sucessor, para tal, investiram em um hardware poderoso, com configurações complexas. Decisão que se tornaria o calcanhar de Aquiles do Saturn. Conheça agora a história de um dos consoles mais injustiçados de todos os tempos, descubra como as decisões equivocadas da SEGA, minaram qualquer chance de êxito do Saturn.

Nesse momento aconselho você leitor que abstraia sua mente, pois está começando mais uma viagem à fantástica historia dos videogames.

Desenvolvimento conturbado

O projeto do Saturn começou no início de 1990, no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Sega no Japão. Originalmente sob o nome GigaDrive, seria projetado para ser um console especialmente poderoso para jogos 2D, enquanto suas capacidades para rodar jogos em 3D ficariam em segundo plano. Ele seria, tecnologicamente situado, entre as placas de arcade System 32 e Model 1. A System 32 rodava jogos 2D de maneira deslumbrante, enquanto a Model 1 reproduzia os jogos em 3D que faziam sucesso nos arcades.

Embora possa parecer uma atitude suicida, o pensamento da Sega tinha uma certa lógica na época. A placa Model 1 – que no final de 1993 deixava os jogadores alucinados, era muito cara, o que levaria a um produto final com o preço elevado. A segunda consideração era a preocupação com o mercado, que poderia não estar pronto para o 3D, devido ao rápido fracasso do 3DO – o primeiro console ‘next-gen’ a chegar às prateleiras. Tais fatores pareciam dar razão aos executivos da Sega, quando decidiram focar o até então GigaDrive em jogos 2D, deixando o 3D como elemento secundário no planejamento.

No entanto, a própria Sega estava ajudando a mudar a percepção sobre os jogos com gráficos poligonais. E nenhum outro game o fez de forma tão impactante como Virtua Fighter. Mostrado em agosto de 1993 em uma feira de arcades, o título foi o primeiro jogo de luta em 3D.

maxresdefault

Tom Kalinske, executivo-chefe da Sega dos Estados Unidos (um dos maiores responsáveis pela batalha SNES X Mega Drive), percebeu que o mercado estava caminhando para o 3D e tentou negociar com a Sony uma parceria. Segundo ele, a Sony do Japão gostou da ideia, mas Hayao Nakayama, presidente mundial da Sega, a rejeitou. A essa altura, a gigante dos eletrônicos já estava preparando o projeto que resultaria no Playstation.

Quando as configurações do console da Sony foram anunciadas, queixos caíram. Ele seria capaz de processar 1,5 milhão de triângulos simples e 500 mil com textura e com iluminação, números que eram mais que o dobro da placa Model 1, na qual o GigaDrive baseou sua capacidade de gráfico 3D. O PlayStation não só bateu o GigaDrive, como também detonou a placa Model 1, deixando a Sega em apuros.

O resultado foi a completa remodelação do projeto, que passou a chamar Saturn. Com um console inferior, o presidente da Sega sabia que não conseguiria vencer a guerra dos 32 bits contra o Playstation. E restando menos de um ano para o lançamento do videogame, planejado para novembro de 1994. Nakayama, incumbiu à Hideki Sato a tarefa de melhorar o Saturn. O engenheiro reuniu um grupo de 27 pessoas, conhecido como o Away Team, para trabalhar no problema. A solução encontrada foi usar dois processadores SH-2 (de 28,6 MHz), da Hitachi, em paralelo. Essa seria uma característica que jogaria contra a Sega mais tarde.

Arquitetura complexa

20184017456785

Mais um vez, Tom Kalinske, tinha uma visão diferente da Sega of Japan. Ele queria trabalhar com a Silicon Graphics, uma das mais respeitadas fabricantes de workstation para computação gráfica (e fornecedora da CPU do PlayStation), a ideia era usar um único chip como processador, o que seria bem mais fácil de se trabalhar. No entanto, a Sega do Japão rejeitou a proposta e a Silicon Graphics foi atrás da Nintendo, com a qual fechou uma parceria que resultaria no Nintendo 64.

Era necessário um grande esforço para que o Saturn, conseguisse pelo menos se igualar ao desempenho do console da Sony. Nem a Sega discordava: Yu Suzuki, criador de Virtua Fighter, disse que um único processador seria preferível e que apenas um em cada cem programadores conseguiria extrair o máximo dos dois processadores sem desperdício.

Sucesso no lançamento

SONY DSC

Lançado em 22 de novembro de 1994 no Japão, o Saturn vendeu mais de 170 mil unidades no primeiro dia. Até o Natal daquele ano o console alcançou a incrível marca de 500 mil unidades vendidas, superando as vendas do até então desconhecido Playstation.

A razão de todo esse sucesso inicial, foi graças a Virtua Fighter, a Sega correu para garantir que o jogo saísse junto com o lançamento do console em novembro. Estima-se que o game de luta 3D, tenha estimulado a venda de 250 mil unidades do Saturn em apenas 2 dias.

SONY DSC

Controle de Saturn: A SEGA pegou carona no controle de seis botões do Mega Drive e o aperfeiçoou ainda mais.

controller

Controle 3D: A empresa realizou um trabalho incrível com o controle, o analógico era bem ajustável e possua uma boa resposta aos diferentes estímulos, já os demais botões eram super confortáveis (lançado junto ao game Nights).

Virtua_Cop_Virtua_Gun_big4

Virtua Gun: O acessório foi lançado junto com os jogos VIRTUA COP. Ganhou diversas cores ao longo do tempo.

SONY DSC

NetLink: Teve vários propósitos, incluindo o acesso básico à internet, e-mail e jogos on-line – precursor de muito dos recursos on-line em jogos de hoje em dia.

mouse-original-sega-saturn-peca-de-colecionador-652201-MLB20301849667_052015-F

Mouse: Conectavam a entrada do joystick. Alguns jogos como Warcraft II podiam ser jogados com este acessório.

Principio do fim

Embriagados pelo sucesso de vendas do console no Japão – ou talvez numa tentativa de liderar o mercado por alguns meses antes do Playstation. A Sega anunciou, em março de 1995, que o Saturn chegaria ao solo norte americano em 2 de setembro, data que foi batizada de “Saturnday” (um trocadilho com o nome do videogame e “saturday”, sábado).

Tom Kalinske (olha ele aí de novo), tentou alertar a SEGA mais uma vez. Ele dizia que era muito cedo e muito caro, além do mais, não havia jogos o suficiente para chamar atenção no lançamento. No entanto, a matriz japonesa novamente ignorou a filial norte-americana, que já havia perdido moral com o fracasso no lançamento do adaptador 32X,  que supostamente dava capacidade de um console de 32 bits para o Mega Drive.

Durante a primeira E3 da historia, que aconteceu entre 11 e 13 de maio, a Sega conseguiu piorar ainda mais a situação. A empresa foi a primeira a se apresentar, Kalinske subiu ao palco e anunciou que, embora a data de lançamento oficial do Saturn estivesse mantida para setembro, o videogame já estava sendo enviado naquele momento para uma seleta lista de redes de varejo: Babbage’s, Electronic Noutique, Software Etc. e Toys ‘R’ Us. O preço era de US$ 399 e o game de estreia seria Virtua Fighter, que nos Estados Unidos não gozava do mesmo prestígio que possuía no Japão.

Com essa manobra, a Sega esperava o furor do público e da imprensa, que deveriam correr imediatamente para adquirir a plataforma mais poderosa lançada até então. O tiro, contudo, saiu pela culatra.

O adiantamento no lançamento do console, pegou as empresas third-party de surpresa. Programadas para lançarem jogos apenas em setembro, não receberam qualquer aviso prévio vindo da SEGA, portanto não tiveram tempo sequer de adaptar os jogos orientais ao mercado ocidental, muito para concluírem o desenvolvimento dos jogos que estavam previstos.

Não foram apenas as empresas third-party ficaram irritadas com a decisão. Os grandes varejistas que, pela manobra desastrada, acabaram não sendo incluídos na distribuição. Wal-Mart e KB Toys por exemplo, adotaram medidas severas de retaliação à empresa e se recusaram a vender o Saturn  posteriormente. Para se ter ideia do nível de irritação dos varejistas, houveram outros que removeram qualquer produtor relacionado a SEGA, como uma forma de boicotar as vendas do aparelho.

Com a chegada do Saturn do dia para a noite, o resultado não podia ser diferente, total desastre. A SEGA conseguiu vender apenas 80 mil unidades do Saturn até o lançamento do PlayStation em setembro.

E os jogos?

Como previsto por Kalinske , não havia jogos para o aparelho. Além de Virtua Fighter, somente dois títulos estavam disponíveis até 2 de setembro. O Natal se aproximava e a situação ficava cada vez mais tenebrosa para a Sega. Como arquitetura do Saturn precisou ser redesenhada às pressas, a primeira geração de jogos também teve que ser apressada. No entanto, em setembro 1995, a equipe da Sega no Japão, já tinha adquirido experiência para aperfeiçoar as técnicas de programação. Durante este período, surgiram grandes títulos.

O primeiro foi Virtua Cop, jogos de pistola vinham tentando alcançar o sucesso, desde o seu auge, nos anos oitenta. A Sega viu a chance de revigorar o gênero com o Virtua Cop, jogo de precisão e muita adrenalina. O segundo título de destaque foi Virtua Fighter 2. Com o sucesso inegável da VF1, uma continuação era inevitável. A equipe de Suzuki conseguiu aprofundar o jogo e aumentar sua fluidez a um ponto que parecia impossível poder melhorar o game. O terceiro jogo dessa leva de sucessos foi o Sega Rally, conseguiram criar mecânicas realista, mantendo o feeling arcade que é a marca registrada da Sega.

Com o sucesso de vendas no período de Natal, a Sega entrou otimista em 1996. Na E3 daquele ano, Kalinski anunciou que “jogos da Sega seriam o sucesso de 1996“, pelo menos no papel, ele parecia ter razão. A linha de jogos do Saturn para o ano seria forte, incluindo um novo jogo do Sonic, Nights, um novo título Panzer Dragoon, Virtua Cop 2, Daytona reformulado e Fighting Vipers.

Com todas essas novidades anunciadas, a Sega estimava vender 1,5 milhões de consoles naquele ano de 1996. Infelizmente, como veremos a seguir, as coisas não saíram conforme o planejado. O interesse do consumidor havia mudado.

Guerra de preços

Ainda em 1995, a Sony iniciou a guerra de preços: em julho, a companhia cortou o preço do PlayStation em 25%. Como o projeto do Saturn era mais complexo e caro, a Sega inicialmente ficou relutante em baixar o preço do console, contudo, não restou outra alternativa a não ser reduzir o preço de seu videogame em 20%, e sacrificar a saúde financeira da companhia.

Durante a E3 de 1996, a Nintendo anunciou que N64, seria lançado em 30 de setembro nos Estados Unidos. A Sony promoveu mais um desconto em seu videogame, agora o Playstation custaria US$ 200. Para não perder competividade no mercado, a Sega anunciou ao fim daquela E3, que o Saturn teria redução no preço e passaria custar US$ 200, assim como o corrente Playstation. As finanças da empresa passaram a sangrar. Pouco depois da E3, cansado de ser contrariado, Kalinske deixou a Sega.

No começo de 1997, a Sega havia vendido 7,16 milhões de unidades do Saturn: 4,4 milhões no Japão, 1,7 milhão nos Estados Unidos, 900 mil na Europa e 160 mil em outros mercados. Em março, a Sony deu o golpe derradeiro, cortou o preço do PlayStation para apenas US$ 100. Logo depois, a Nintendo seguiu o mesmo caminho e baixou o preço do N64 para US$ 150. A essa altura,  Sega não tinha como bancar mais um desconto do Saturn e prometeu, em vez disso, tirar até 50% do preço dos cinco jogos mais vendidos. No entanto, a empresa teve que recapitular essa decisão e diminuir o preço do videogame para US$ 150.

O Saturn sai de orbita

maxresdefault

No primeiro trimestre de 1997, o PlayStation tomou definitivamente a liderança, graças a Final Fantasy VII que obteve imenso sucesso. Em setembro, a Sega dominava apenas 12% do mercado dos Estados Unidos. A Sony estava em primeiro, com 47%, e a Nintendo em segundo, com 40%. O Saturn já era dado como morto, a Sega tentou uma última campanha, gastando US$ 25 milhões. Até o final do ano seriam lamçados games como Last Bronx, Sega Touring Car Championship, Sonic R, Madden 97, NFL 97, Resident Evil, Doom, Quake e Duke Nukem 3D. A empresa conquistou apenas 5% das vendas de videogame entre novembro e dezembro.

Tornou-se claro que a empresa havia abandonado o Saturn, após 3 anos do lançamento da plataforma, a Sega anunciou: “O Saturn não é mais o nosso futuro”. Tornando pública a discussão de que uma nova plataforma já estava sendo pensada.

Em 23 de janeiro de 1998, o console passou a custar US$ 100, e os jogos US$ 10 cada um. Algumas lojas vendiam o videogame a US$ 75 e os jogos a US$ 5 para acelerar a queima de estoque. Já em março, a Sega começava a distribuir kits de desenvolvimento de seu futuro console de nova geração e, no fim do mês, anunciou oficialmente o fim do Saturn nos EUA.

O Dreamcast foi anunciado oficialmente em 21 de maio e, no dia 31, a Sega anunciaria que todos os projetos da empresa relativos ao Saturn estavam cancelados. O últimos números oficias do Saturn saíram em 10 de Setembro, foram: 10 milhões de unidades vendidas, sendo 5,8 milhões no Japão, 2 milhões nos Estados Unidos, 1 milhão na Europa e o restante em outras regiões. O console é um dos maiores fracassos da Sega em termos mundiais, mas, no Japão, foi o videogame da companhia que mais vendeu. De 1993 a 1998, período em que o Saturn esteve ativo, a empresa amargou um prejuízo milionário. No final de 1998, a participação da companhia havia caído para 1% nos Estados Unidos.

Infelizmente, a Sega promoveu a autodestruição do seu poderoso console, que jamais foi explorado em toda sua capacidade.

Conclusão

O Saturn pode ter representado uma falha colossal no mundo dos negócios, ajudando a Sega a se afundar ainda mais e eventualmente abandonar o mercado de consoles, no entanto, no que se refere à produção de jogos, mas foi um console diferente e impressionante.

Ainda hoje, apesar da grande disponibilidade de relançamentos em outros formatos, o Sega Saturn é um investimento que vale a pena, principalmente para aqueles que apreciam o estilo de jogabilidade único das empresas que o apoiaram – e que se dedicavam em oferecer experiências que só poderiam ser obtidas nos arcades. Nisso, o Saturn ainda é indiscutivelmente inigualável, e isso se reflete no status de cult que ele adquiriu.

Seu poderoso hardware que encantava os jogadores, foi seu calcanhar de Aquiles. Genial e ao mesmo tempo indomável. Assim era o Sega Saturn.

White-Saturn

A fantástica historia dos videogames retorna na semana que vem, com mais curiosidades sobre o mundo dos games.

Fonte

Leia mais em Direct News

MATÉRIAS RELACIONADAS

COMPARTILHAR:

COMENTÁRIOS:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba as novidades do direct geek por e-mail: